Deixem-nos voar, Sonhem!
Presenciamos,
actualmente, uma sociedade sem sonhos, uma sociedade de objectivos
muito semelhantes, mas sem uma ambição altruísta e moral, ambições
egocêntricas onde os meios para alcançar os fins não interessam, e
onde, após o alcançar do objectivo, há apenas uma satisfação
momentânea, não há felicidade efectiva.
Quem lê esta introdução pensa que, não se relaciona com o futebol e
seus contornos, mas a pedagogia é a peça basilar da formação de
qualquer jogador, mas mais que tudo de qualquer Homem.
É importante que desde a entrada do jovem no percurso formativo
desportivo lhe sejam incutidos meios para este alcançar os seus
objectivos, mas mais que isso devem-lhes ser transmitidos traços
gerais que o levam a idealizar um percurso, traços que o levem a
ser feliz conquistando o seu sonho.
Quem tem o direito de dizer que ele não pode vir a ser um grande
jogador de futebol? Quem lhe poderá dizer para esquecer o futebol e
dedicar-se a outra actividade? Quem retira prematuramente os sonhos
aos jovens, não tem a noção que pode estar a retirar uma das
maiores motivações intrínsecas existentes, a luta pelo sonho. Pode
estar a deformar um Homem, porque não acreditará que pode quer no
desporto, quer na vida alcançar os seus grandes sonhos.
Se um jovem tem uma noção de felicidade, de grande objectivo a
atingir, deixem-no sonhar, deixem que o sonho o guie, ajudem-no e
aconselhem-no. Vão-lhe mostrando as suas capacidades, dando-lhe a
realidade em conjunto com a ambição. Não defendo que se deve
mentir, também concordo que se o apoiarmos incondicionalmente e se
ele não atingir o objectivo a perda e transtorno será maior, mas
será que não foi feliz enquanto lutou? Será que o sonho não o
manteve vivo na verdadeira ascensão da palavra? O que vemos hoje
são pessoas sem sonhos, mas mais que isso sem grande esperança, com
sorrisos parcos, vivendo sem grande aproveitamento dos pequenos
prazeres da vida.
É verdade o desporto é vida, por isso comparo a formação do atleta
com a vida social, porque ambas se complementam e estão
interligadas.
Quando um jovem de onze anos diz que quer ser o melhor jogador,
porque não apoia-lo? Dessa forma damos-lhe alento para o trabalho,
motivando-o, incutindo a perseverança, a luta pelos objectivos
independentemente dos percalços. Dêem-lhes tempo para adquirirem
maior noção da sua realidade, lembrem-lhes que há a escola e que
nem tudo se cinge ao futebol, motivem-nos para actividades várias,
para que se o sonho não se realizar ele já tenha opções para traçar
novos rumos, para voltar a se levantar e voltar a traçar novos
sonhos, porque não actividades paralelas ao futebol, formar-se e
integrar de uma forma diferente o mundo futebolístico.
Transmitam-lhes que está nas mãos deles a forma de serem felizes,
que nada nem ninguém os pode impedir se eles não o deixarem.
Digam-lhes que se é isso que querem, lutem por isso, esforcem-se e
perseverem, correndo a grande etapa da vida com um sorriso e com
uma chama acesa à qual chamamos motivação.
Resumindo apoiem o sonho dos jovens, mais que isso, incutam-lhes o
sonho, deixem-nos voar, mas não se esqueçam de moderar o voo deles,
dando-lhes conselhos, alertando-os, deixando-os eles próprios
enfrentarem os problemas ganhando resistência para novos obstáculos
e dêem-lhes sempre mais que duas rampas de lançamento para o sonho,
para que caso um falhe exista outro que pode muito bem ser
alcançado, ou seja, formação no futebol e formação escolar, ambos
de braços dados, ambos sustentados, porque o sonho pode-se moldar à
realidade, por isso deixem-nos voar, Sonhem!










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