Página Inicial Data de criação : 08/12/12 Última actualização : 10/01/08 18:03 / 78 Artigos publicados

FUTEBOL HARMONIOSO

FUTEBOL HARMONIOSO  (FUTEBOL HARMONIOSO) Inserido Sunday 19 April 2009 02:56

Futebol harmonioso!

 

Nos anos 30, Hugo Meisl criou o primeiro dogma “A melhor defesa é o ataque”. Nos anos 60, Helenio Herrera, mestre do catenaccio, afirmou que “os bons avançados ganham as finais, mas são os bons defesas que ganham os campeonatos”. Um choque de conceitos que se resolve com uma frase de Boris Arkadiev, velho técnico soviético, professor de Lobanovski: “Não existe futebol ofensivo ou futebol defensivo. Existe futebol harmonioso!”

 

Regressar ás raízes é sempre bom no debate filosófico-futebolístico.
O futebol ofensivo nasce, em campo, na forma como os elementos mais recuados conseguem pré-conceber, mesmo antes de recuperada a bola, qual o movimento ou passe a fazer após consumada essa recuperação. Ou seja, o dito futebol de ataque tem origem na postura (entendida como correcta distribuição posicional e da chamada acção-reacção do pré e pós recuperação da bola) dos jogadores mais recuados. É o chamado pressing construtivo.
Quando não tem a bola, para além de pensar só em recupera-la, a equipa já deve saber, com clareza, o que fazer com ela após resgatar a sua posse. É esta a génese da transição rápida.
Mas agora repare-se: Para poder recuperá-la no local certo para uma mais eficaz transição defesa-ataque, o papel decisivo pertence, também, aos…avançados. São eles os primeiros a defender. Basta ver como o ponta de lança cai em cima do defesa na saída de bola, impede-o de subir, obrigando-o a um passe lateralizado. Nesse momento, todas a equipa e suas linhas, sobem 10 metros e já ficam em condições de iniciar a manobra de recuperação em zonas mais adiantadas. É o berço do chamado pressing alto.
Caso contrário, as linhas não conseguem subir e a equipa encosta-se à sua área. Se, pelo contrário, subir as linhas devido à acção dos avançados, a transição defesa-ataque poderá ser feita em zonas mais adiantadas e disso depende a sua velocidade e consequente eficácia.

 

É por isso que, as equipas de top, não distinguem fase defensiva de fase ofensiva. Elas fundem-se numa só através da coordenação de movimentos, com e sem bola, gerindo tempo e espaço. Elas contemplam-se reciprocamente e uma tem sempre subjacente a outra, ao ponto de estes dois timings serem imperceptíveis para um analista a olho nu.
É este o segredo do melhor e competitivamente mais eficaz futebol do presente. Por isso, é um erro falar-se em equipas ofensivas e equipas defensivas. Pode ser mais ofensiva uma equipa a jogar, no papel, em 4x5x1, do que uma a jogar em 4x3x3.
É impossível praticar-se verdadeiramente futebol ofensivo, com um «ratio» competitivo realista, sem ter-se, ao mesmo tempo, uma visão ampla da acção defensiva que não se esgote na mera recuperação. Nenhuma fase existe sem a outra. É tudo uma questão de dinâmica e equilíbrio entre linhas.
Basta ver como os jogadores interpretam em campo essas transições e actos de união defesa-ataque. Esqueçam a retórica da dicotomia do futebol ofensivo-futebol defensivo, quase como querendo demonstrar a superioridade moral de uma vitória sobre a outra. É, no fundo, como regressar ás raízes do conceito de Arkadiev O que existe é «
futebol harmonioso». Fim de discussão.

 

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