Página Inicial Data de criação : 08/12/12 Última actualização : 09/11/12 13:01 / 78 Artigos publicados

POSSE DE BOLA  (POSSE DE BOLA) Inserido Thursday 12 November 2009 13:01

POSSE DE BOLA

 

Este comentário vem da minha observação, e convicção de que   está-se a desvirtuar o objectivo do Jogo. Treinando-se para a "posse de bola" e fazendo desta o objectivo central do Jogo. Esquecendo que o objectivo do Jogo é o GOLO. Em que essa "posse de bola" só deve ser treinada em virtude de como podemos chegar ao GOLO, sendo essa "posse de bola" ser mais ou menos elaborada, como maior ou menor tempo e como menor ou maior número de jogadores (dando importância a qualidade). Mas nunca podemos deixar de treinar para o GOLO que na minha opinião é o atrator do Jogo.

 


Acredito que o GOLO é o melhor do jogo, mas como treinador, nada me dá mais gozo que um golo que resulta de uma jogada bem elaborada e finalizada com superioridade! Mas essa superioridade e jogada bem elaborada também pode ser uma rápida saída de contra-ataque após um lance de bola parada, por exemplo, em que em 3 toques a equipa consegue concretizar...

O GOLO é o que se pretende, e a posse de bola é tão só mais uma forma de pensar como será a melhor forma de chegar até ele, eu acredito que enquanto a minha equipa tenha a bola, o adversário não marca de certeza, e que quem poderá estar mais perto de chegar ao golo, ou quem poderá ter prioridade na forma como elabora os lances de perigo para a baliza contrária, será a equipa que tem a bola, ou seja, a minha... Se esta posse de bola não for produtiva, então temos de desenvolver a mesma com o intuito de chegar ao GOLO, mas creio que é com esse objectivo que todos a praticam...

 

Eu sou um adepto "ferranho" de jogos reduzidos, onde existem sempre balizas, e por vezes os GR também, com o intuito de poder introduzir condicionantes que transportem o jogo para aquilo se pretende, sem nunca deixar de ser verdadeiramente um jogo de futebol, mas reduzido, com todos os factores mais importantes do jogo, o passe com oposição, a obrigação de ler o jogo, as reacções rápidas nos momentos de transição e a constante procura de soluções por parte dos jogadores, pois eu também acredito que o jogo é o melhor professor.  

 

Também concordo que há equipas que estrategicamente deixam o adversário ter posse de bola para poder chegar ao GOLO, mas só o conseguem se a recuperarem  por isso, quando tenho a bola, ninguém me marca golo de certeza... Agora a minha prioridade após ter a bola deverá ser fazer o seu bom uso, procurando criar lances de perigo, da melhor forma possível naquele momento,   Confesso que não sou grande adepto de exercícios de posse de bola sem a mínima identificação táctica com o modelo de jogo da equipa e,   a forma exagerada como os treinadores procuram exercícios de posse de bola, sem a mínima orientação, sem a mínima direcção, e muitas vezes somente com o objectivo de trabalhar aspectos físicos... Isso também critico, também acho que nós, treinadores temos de ser mais criativos e procurar exercícios que coloquem os jogadores em situações onde a posse de bola possa ser a melhor forma de resolver o problema como que se deparam, mas que deverão sempre ter a opção que o jogo tem, de finalizar, de procurar o GOLO, e dos exercícios não terem a própria posse de bola como objectivo principal.

 

 

 

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DESENVOLVIMENTO DA VELOCIDADE NOS JOGOS DESPORTIVOS COLECTIVOS  (DESENVOLVIMENTO DA VELOCIDADE) Inserido Friday 12 March 2010 18:45

Resumo:
    No contexto desportivo, a velocidade tem sido entendida como uma capacidade motora cujo desenvolvimento é fortemente determinado pela faceta genética, o que lhe confere um reduzido potencial de treinabilidade. Contudo, se bem que seja comum dizer-se que já se nasce velocista, para nós é claro que nos jogos desportivos é possível ser-se rápido sem que se disponha das características de um corredor de velocidade ou de um saltador. No presente artigo, procura-se sustentar que nos jogos desportivos colectivos não existe uma, mas várias velocidades, cuja lógica de expressão e desenvolvimento implica uma subordinação às exigências particulares da actividade desenvolvida durante o jogo. Neste sentido, é avançada uma perspectiva centrada na interligação das valências perceptivas, decisionais e motoras, e cuja configuração contempla o entrelaçamento da velocidade com os factores de natureza técnica e táctica.

 

1. Introdução

Na actividade desportiva, o praticante procura, através do seu corpo, que é, simultaneamente, sujeito e objecto da acção (Panafieu, 1984), jogar sobre o tempo no sentido de modificar as suas acções para melhor se adaptar ao envolvimento (Jalabert, 1998).

Neste contexto, a velocidade motora, entendida como uma capacidade humana que condiciona a realização dos movimentos desportivos, constitui um factor do rendimento ao qual se tem vindo a atribuir grande importância. Treinadores e investigadores têm voltado as suas preocupações, não só para as formas de manifestação que a caracterizam, mas também para o modo de as transformar em indutores de eficiência e eficácia das acções desportivas.

Curiosamente, este realce dado à velocidade parece faz parecer omisso o velho ideal olímpico grego, segundo o qual o desporto constituiria a via para o Homem chegar mais longe, saltar mais alto e ser mais forte (Citius, Altius, Fortius).

De facto, à luz das exigências do desporto actual, não basta chegar mais longe, nem saltar mais alto, nem ser mais forte, é preciso ser mais rápido, mais veloz. Mais rápido, não apenas a chegar ao local desejado, ou a realizar uma acção, mas também a pensar, a encontrar soluções, a perceber o erro, a descodificar os sinais do envolvimento. Em síntese, mais rápido e melhor, a perceber, a pensar e a agir.

Este ponto de vista admite, implicitamente, que o ideal olímpico parece omitir uma dimensão fundamental da prática desportiva enquanto actividade humana: a inteligência. Não uma inteligência abstracta e estática, tantas vezes enfatizada, mas uma inteligência do comportamento motor, através da qual o Homem, não só se adapta estrategicamente às exigências colocadas pelo envolvimento, como também está capacitado para nele provocar, intencionalmente, alterações que lhe sejam favoráveis.


2. A(s) velocidade(s) nos jogos desportivos colectivos

O contributo relativo da velocidade para o rendimento varia de acordo com as exigências de cada modalidade desportiva (Dick, 1989).

Os jogos desportivos colectivos (JDC) constituem modalidades que se caracterizam por complexas relações de oposição e de cooperação que decorrem dos objectivos dos jogadores e das equipas em confronto e do conhecimento que estes possuem do jogo, de si próprios e do adversário (Garganta & Oliveira, 1996).

Dado que, neste contexto, a dimensão estratégico-táctica assume um papel determinante, o conceito de velocidade transcende claramente a concepção clássica que a define como a capacidade de executar acções motoras no mais breve tempo possível.

Estamos, portanto, perante um problema de adequação da expressão da velocidade às tarefas a realizar. Nas modalidades que fazem parte deste grupo de desportos, o que se demanda constantemente é uma síntese entre velocidade e eficácia na tarefa, o que implica perceber a importância que assume a unidade entre o sistema perceptivo e a velocidade de realização.

As interacções do sistema perceptivo com a velocidade de realização organizam-se em torno de três eixos (Jalabert, 1998):

·         selecção das informações - o jogador de alto nível ganha tempo seleccionando, cada vez mais rapidamente, num caos de informações, aquelas que lhe são mais úteis para atingir o objectivo;

·         ligação entre as informações - o jogador de alto nível invoca as experiências passadas para prever as consequências das acções que realiza. Nesse sentido, é capaz de estabelecer conexões entre elementos como a orientação dos apoios, a postura do adversário, as linhas de força da defesa contrária, as trajectórias imprimidas à bola, e outros, os quais se revelam determinantes para a obtenção de sucesso;

·         reorganização sensorial do controlo do movimento - ao invés do principiante, para quem o controlo visual da bola é indispensável, o jogador confirmado utiliza a propriocepção, o que se torna mais económico em termos de tempo, dado que tal o disponibiliza, do ponto de vista cognitivo, para o tratamento da informação.

Face a este cenário, parece pertinente considerar não uma, mas várias formas de velocidade. Aliás, Weineck (1994) e Gambetta et al. (1998) ilustram bem este facto, no âmbito do Futebol, ao considerarem a coexistência de sete formas:

·         a velocidade de percepção - relacionada com a habilidade para processar estímulos auditivos e visuais e tomar decisões a partir de uma variedade de escolhas dependentes de uma situação particular;

·         a velocidade de antecipação - relacionada com a habilidade para prever as probabilidades de evolução das linhas de força de uma situação;

·         a velocidade de decisão - relacionada com a habilidade para, após ter analisado uma situação, decidir o que fazer;

·         a velocidade de reacção - relacionada com a habilidade para reagir a uma acção ou estímulo prévio;

·         a velocidade de movimento sem bola - relacionada com a habilidade para executar acções sem bola (desmarcações, tackles, marcações, saltos, mudanças de direcção e outras);

·         a velocidade de acção com bola - relacionada com a habilidade para executar as habilidades técnicas específicas, na relação com o móbil do jogo;

·         a velocidade de acção de jogo - relacionada com a habilidade para tomar decisões durante o jogo e executá-las em relação com as condicionantes técnicas e tácticas, i.e., para agir correctamente, no tempo certo.

Se tomarmos como exemplo a corrida dos jogadores, nos JDC, constataremos que ela não é linear nem a meta é antecipadamente conhecida. Os praticantes deparam com muitas e variadas "metas" a atingir ao longo do jogo, pelo que o desenvolvimento da velocidade assume contornos complexos.

Atentemos noutro exemplo. No Andebol, no Basquetebol e no Futebol, os estímulos visuais são prevalecentes (análise de trajectórias da bola, percepção das movimentações dos colegas e adversários, ...). Num atleta que revele dificuldades ao nível da percepção de estímulos visuais, está comprometido um dos elos da cadeia (a captação do estímulo) e, por consequência, está condicionada negativamente a capacidade para ser rápido nas acções que deve desenvolver.

De facto, a expressão da velocidade decorre, não apenas da brevidade de reacção aos estímulos ou da velocidade gestual, mas também do tempo necessário à identificação, ao tratamento rápido da informação e ao reconhecimento e avaliação das situações complexas de jogo. Como sustenta Paillard (1990), em matéria de tratamento da informação, o tempo de que se dispõe para operar é mais importante do que a quantidade ou a qualidade das acções a realizar.

Verifica-se, contudo, que os estudos dirigidos para a compreensão da lógica da velocidade têm-se voltado, preponderantemente, para a parte observável da acção, ou seja para o tempo de movimento, enquanto que o lado invisível, relacionado com o tempo de reacção (Meignan & Audifren, 1997), inerente às questões do processamento da informação, nomeadamente nas facetas perceptiva e decisional, é tratado com menor incidência.

A este facto não são alheias as conclusões provindas de alguns estudos realizados por especialistas, os quais, tendo por referência o peso dos factores genéticos e adaptativos, vêm difundindo a ideia de que a velocidade é a mais acondicionada geneticamente de todas as designadas características motoras básicas e que, portanto, a sua treinabilidade é reduzida.

Consideramos, todavia, que esta é uma forma restritiva de colocar o problema, porque a realidade tem evidenciado que nos JDC as possibilidades de desenvolvimento da velocidade passam, em grande parte, pela exercitação conjugada das capacidades motoras com as habilidades táctico-técnicas, nas quais aspectos como a atenção, a capacidade de discriminação dos sinais pertinentes e a justeza decisional se revestem de uma importância fundamental. Neste sentido, o treino de tais factores tem permitido maximizar as valências musculares ou, nalguns casos, disfarçar até as suas limitações.

A capacidade de previsão, por exemplo, permite que um jogador, mesmo sendo "mais lento" do que outro, do ponto de vista neuromuscular, possa chegar mais depressa a um determinado lugar do terreno de jogo, porque previu e antecipou a resposta.

Atentemos nos movimentos basilares de locomoção dos jogadores, nas suas diferentes formas (marcha, trote, corrida rápida, sprint). Podemos constatar que as razões da sua expressão se fundam numa intencionalidade guiada, sobretudo, por imperativos tácticos. O jogador desloca-se para algum lugar, com maior ou menor intensidade, num ou noutro momento, em função da movimentação dos colegas e adversários, e da posição da bola, isto é, em função das configurações do jogo (Garganta, 1997).

De acordo com este entendimento, a velocidade motora, longe de se restringir à acepção física do termo, que a situa como uma grandeza física, dada pela relação entre o espaço percorrido por um objecto e o tempo necessário para o percorrer, impõe-se, sobretudo, como uma grandeza táctico-técnica, perceptiva e informacional, que se consubstancia no que se pode designar por velocidade de realização, quando nos referimos à prestação individual do jogador, ou por velocidade de jogo, quando nos reportamos ao desempenho das tarefas da equipa, enquanto unidade colectiva, nas diferentes fases que o jogo atravessa.

A velocidade de realização resulta, assim, da conjugação de diferentes e complementares aspectos, e.g., fisiológicos (nível de contractibilidade das fibras musculares), biomecânicos (intensidade, orientação e transmissão do complexo de forças em presença) e perceptivos (natureza dos receptores sensoriais que controlam o movimento). A velocidade de jogo resulta, não do somatório das velocidades parcelares de realização dos jogadores, tidos como célula ou individualidade, mas da forma como a equipa, enquanto superestrutura, gere os diferentes momentos configurações do jogo e a eles reage colectivamente, tal como um tecido celular inteligente.

Tal sugere que, nos JDC, o facto da velocidade ser treinada através de exercícios nos quais se exige que a tarefa proposta se realize no mais breve tempo possível, é condição necessária mas não suficiente para que o efeito de treino se oriente no sentido pretendido. Para além de executar depressa é necessário executar bem, isto é, de forma ajustada.


2.1. A velocidade de jogo

Os JDC praticados ao mais alto nível, são caracterizados por requererem um ritmo muito elevado e por reclamarem dos jogadores um empenho permanente. A existência de sistemas defensivos cada vez mais pressionantes implica exigências crescentes, nomeadamente no que se refere à velocidade de processamento da informação e de execução.

No jogo ocorrem, cada vez com maior frequência, circunstâncias nas quais os jogadores devem realizar acções de adaptação com elevada velocidade. Todavia, ao atribuir-se às capacidades motoras um estatuto de autonomia, à margem do contexto táctico que as reclama, o significado de características como esta pode ser destorcido.

Por isso, Brettschneider (1990) alerta quem pretender analisar os jogos desportivos e a prestação dos jogadores, para que o faça através da análise do contexto no qual ocorrem as acções, não se devendo limitar a aspectos isolados.

Quando, tentando analisar parcelarmente os JDC, falamos em velocidade, no sentido restrito, não conseguimos um aporte de informação importante para melhorar a qualidade do treino e do jogo. A velocidade está sempre relacionada com o ajustamento temporal (Balash, 1998) e espacial das acções, e também com as características da tarefa a realizar. Trata-se, portanto, de uma velocidade táctico-técnica.

Estando a velocidade intimamente associada a acções de intensidade maximal, alguns especialistas (ver por exemplo, Palfai, 1979; Ekblom, 1986) têm referido que aquilo que diferencia o nível dos jogadores e das equipas, no que respeita à actividade realizada durante as partidas, não é tanto o número de acções, mas fundamentalmente a intensidade com que elas são desenvolvidas.

Quando os desportistas se movimentam em função de um móbil de jogo (a bola) e interactuam com elementos móveis dotados de autonomia (colegas e oponentes), as acções não podem ter uma duração fixa. A acção desenvolvida pelo sujeito decorre, não só da leitura da configuração do momento, mas também da previsível evolução das linhas de força do jogo, em função da velocidade de que se está animado para fazer coincidir a execução com o momento (tempo ) e o lugar (espaço) exigidos para obter êxito.

De facto, a velocidade de realização parece ser um indicador do nível de jogo. Os melhores jogam mais depressa. Todavia, a intensidade com que um jogador executa as acções no jogo, depende, por um lado, da forma como ambas as equipas em confronto condicionam o ritmo do jogo, e, por outro, da qualidade das escolhas e das opções táctico-técnicas efectuadas pelo jogador no seu decurso.

Sabe-se que não é apenas na forma, mas também no ritmo de execução das habilidades técnicas, que os jogadores mais talentosos se distinguem dos demais (Mercier, 1979). Contudo, a velocidade das acções do jogador adquire sentido quando relacionada com a velocidade de jogo, isto é, com a interacção de várias formas de manifestação parcelares que se entrecruzam e que vão desde a velocidade mental (Cianciabella, 1995) até à velocidade de deslocamento e de execução, numa interacção recorrente entre colegas e concorrente entre adversários.

Quer isto confirmar que os melhores não jogam apenas mais depressa. Jogam, sobretudo, mais eficazmente, fazendo variar a velocidade de realização e de jogo, em função das características do momento e das possibilidades de evolução das linhas de força da jogada.

O jogo em que o jogador se posicionava para receber a bola, depois observava, pensava e agia, faz pouco sentido no contexto actual. As marcações são cada vez mais pressionantes, a velocidade de jogo cada vez mais elevada, o tempo para agir cada vez mais curto, pelo que cada vez é mais premente a necessidade de realizar a antecipação mental e motora. Neste contexto, a compatibilização da velocidade com a precisão parece ser um problema importante.

Já em 1951, Gibbs demonstrou que existe uma correlação negativa entre velocidade e precisão.

Também se sabe, desde 1942 com Fulton, que o nível de precisão adquirido a baixa velocidade decresce rapidamente quando esta aumenta e que, pelo contrário, quando se pede a um indivíduo, que treinou a elevada velocidade, que procure cuidar os aspectos de precisão, ele perde pouca velocidade.

Este preceito reveste-se de grande importância, nomeadamente pelas repercussões que pode ter quando se pretende eleger uma metodologia para promover a aquisição eficaz das diferentes habilidades técnicas nos JDC.

Há, por isso, que considerar a relação da velocidade das acções com a precisão e com antecipação da resposta motora decorrente dos aspectos tácticos do jogo. Segundo Dugrand (1989), embora exista uma relação negativa entre velocidade e precisão, verifica-se uma relação positiva entre a velocidade e a "previsibilidade" das soluções retidas pelos jogadores.

A este propósito, Bouthier (1988) sustenta que os jogadores mais experientes e os mais inteligentes se distinguem pelo apuro das capacidades de antecipação, quer na evolução das relações de oposição, quer nas escolhas tácticas mais ajustadas, quer ainda na execução das correspondentes operações que viabilizem o desencadeamento dessas acções em tempo útil.

Também Ripoll (1979), num estudo em que comparou praticantes de Basquetebol com sujeitos não praticantes, demonstrou que os segundos, não obstante serem capazes de reconhecer uma considerável quantidade de informação sobre o jogo, ignoravam a sintaxe e o conteúdo semântico das mesmas.

 

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CAPACIDADES MOTORAS  (CAPACIDADES MOTORAS) Inserido Friday 08 January 2010 18:03

 

CAPACIDADES MOTORAS

DOC. N.º 1

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

O potencial humano é a fonte de desenvolvimento da humanidade, daí que não possa ser

desperdiçado ou banalizado. Manuel Sérgio refere que, “Um homem é, a meu ver, como

um cristal em movimento. Mede-se acima de tudo, pelo número de faces iluminadas”.

Perante uma visão do homem tão sincera e humana, é de enaltecer a coragem e o

esforço daqueles que se submetem à valorização constante das suas capacidades.

Certamente que o grande objectivo é optimizar os seus conhecimentos, a sua

intervenção, ou intervenções, para contribuir de uma forma mais eficaz, no acender do

maior número de faces em cada um daqueles que à posteriori expressam o resultado do

seu trabalho.

Neste contexto, o alvo da nossa formação é o Futebol que nos leva às mais variadas

áreas do conhecimento, para através dele contribuirmos para o desenvolvimento global

do indivíduo. E, este desenvolvimento global ou holístico subentende não só a

componente motora do atleta, mas também as suas capacidades psíquicas. Assim, o

trabalho a desenvolver deverá ter um carácter de articulação constante do corpo ou

motor, com o psíquico ou espiritual.

Neste âmbito, ao trabalharmos as capacidades motoras, não as podemos separar de

outras capacidades, que são as que regulam, orientam, planeiam e decidem o tipo de

respostas mais ajustadas em cada situação de jogo ou treino. Quer dizer, é importante

que o atleta ao executar cada uma das acções, sinta e percepcione o sentido de cada

movimento.

Esta simples introdução tem como principal objectivo, levar-nos a uma reflexão quanto

à importância e, a meu ver, essencial, de uma preocupação e atenção constante em

perceber que o atleta entende cada uma das acções que vai executando segundo o

planeamento de treino previamente elaborado.

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CAPACIDADES MOTORAS  (CAPACIDADES MOTORAS) Inserido Friday 08 January 2010 18:01

CAPACIDADES MOTORAS

DOC. N.º 2

 

 

Provavelmente nesta perspectiva, o futebol e obviamente o desporto é colocado ao

serviço do desenvolvimento pessoal e social.

O treino como um momento de actividade física, tem o ensejo de pôr à prova as

qualidades físicas, mas também, a perspicácia, a imaginação, a criatividade, a

afectividade e a inteligência. E, é esta multiplicidade solicitações e acções que rechama

o homem na sua íntegra, caracterizando o treino como um acto educativo, donde emerge

o desenvolvimento do corpo, do espírito, da própria natureza e da sociedade.

Então, o treino de Futebol refere-se à totalidade do ser humano. Assim, a pessoa

humana é o resultado do acto educativo, embora não exclusivamente o

institucionalizado, porque cada um é o criador de si mesmo. Não podemos esquecer

que, o que está em jogo no treino é a síntese do desenvolvimento das capacidades

físicas e paralelamente do sentido do movimento humano.

Assim, nesta constelação de áreas do conhecimento, é fundamental que o treinador sinta

que nunca está actualizado, porque está sempre confrontado com mudanças que o

obrigam a constantes ajustamentos e reajustamentos. No entanto, verifica-se muitas

vezes resistências entre os agentes do futebol a novos quadros do saber, essencialmente

devido ao desconhecimento de que a interdisciplinaridade é o diálogo entre autonomias.

Provavelmente, são os que negligenciam a totalidade da cultura na análise da sua prática

profissional. Isto é, não reconhecem o carácter parcial da sua especialidade. E, será esta

a principal justificação da sua fuga ao trabalho interdisciplinar.

Treinar é educar, o que obriga o treinador a saber corporizar valores, conseguir

inclusive exprimir os impulsos e pulsões dos seus atletas, em formas culturais de modo

a perspectivar plenas articulações entre as necessidades mais naturais e específicas e as

suas aspirações mais de carácter espiritual. E, esta é uma exigência que obriga a um

trabalho que objectiva moldar ou lapidar um atleta, desde a sua forma de pensar,

construir e agir, até à evolução da sua condição física, para que esta reunião de factores

contribua para um comportamento técnico, táctico, psíquico e outros, o mais ajustado

possível.

 

 

 

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CAPACIDADES MOTORAS  (CAPACIDADES MOTORAS) Inserido Friday 08 January 2010 17:58

CAPACIDADES MOTORAS

DOC. N.º 3

 

 

Assim, o treino, para além do desenvolvimento técnico-táctico, objectiva a melhoria da

condição física e psíquica. Relativamente à condição física, que implica o

desenvolvimento anátomo-funcional e que permite ao atleta uma adaptação às

características do jogo, verifica-se uma “agressão” dos mais variados sistemas

orgânicos: aceleração cardíaca e respiratória, o sistema ósteo-articular, muscular, etc.,

etc. Assim, para que determinada estrutura ou sistema seja mais solicitado, é

fundamental planear e desenvolver um tipo de trabalho específico que contemple a sua

maior exercitação. E, o que determina a direcção de um determinado trabalho, é

precisamente o tipo de exercício. Por exemplo, um exercício de baixa intensidade,

apenas mantém uma capacidade funcional do organismo. Por sua vez um exercício de

maior intensidade tenderá a uma adaptação de todo o organismo no sentido do aumento

do rendimento. Por outro lado, um exercício com uma intensidade excessiva já conduz

ao esgotamento, assim como a uma diminuição da capacidade funcional. E, é

precisamente o conhecimento e capacidade de selecção de exercícios com intensidades,

volumes e densidades mais adequados, que permite ao treinador elaborar previamente

um plano de treino ajustado a cada um dos objectivos a atingir.

Relativamente à componente psíquica ou perceptivo cinética, o atleta durante a

realização dos exercícios deverá manter um grau de vigilância que é da responsabilidade

de capacidades psicomotoras, ou de capacidades ditas superiores, para que a sua

adaptação ao tipo de exercício seja a mais eficaz e inclusive de forma que a próxima

repetição seja superior em termos qualitativos e, ou mesmo quantitativos,

comparativamente à execução anterior. Daí, a importância de uma análise posterior, do

auto- feed-back, que é essencial, ou, senão, a base da evolução.

O objectivo da união de todos estes factores vão ao encontro da ambição de qualquer

treinador, porque se situam na via do sucesso. E, é precisamente o conhecimento dos

aspectos referidos, que permite ao treinador optar pelo mais eficaz método de treino e

que se caracteriza com uma estruturação de exercícios físicos, técnicos ou tácticos,

associados continuamente à componente psíquica, individual e colectiva. Relativamente

a este aspecto, é importante realçar que o futebol, sendo uma modalidade colectiva,

 

 

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